Durante muito tempo, a arquitetura comercial ocupou um papel secundário dentro das empresas. Era vista como etapa final, ligada ao acabamento e à estética. Hoje, essa lógica mudou. O espaço físico passou a ser parte estratégica do negócio, com impacto direto na percepção da marca e no resultado financeiro.
Em Tubarão, esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado. Empresas começam a entender que o ambiente onde recebem seus clientes não é apenas funcional. Ele comunica, influencia e, muitas vezes, decide.
A arquiteta Sofia Fretta, que atua no segmento desde 2018, acompanha essa mudança de perto. Sua atuação se concentra justamente na relação entre arquitetura, posicionamento e desempenho.
“Não faz sentido investir em um espaço que não retorna. Arquitetura comercial precisa ter propósito e resultado”, afirma.

Quando o ambiente passa a influenciar a venda
O comportamento do consumidor mudou. A decisão de compra acontece mais rápido e, muitas vezes, antes de qualquer interação com um vendedor. Nesse cenário, o ambiente assume protagonismo.
A iluminação direciona o olhar. O layout conduz o percurso. A organização facilita a escolha. Cada elemento cumpre uma função.
Em um dos projetos citados por Sofia, uma joalheria em shopping enfrentava um problema recorrente: pouca visibilidade. A loja parecia fechada para quem passava pelo corredor.
A solução veio com um novo projeto de iluminação. O espaço ganhou destaque e passou a chamar atenção à distância. O efeito foi imediato na percepção e no fluxo de clientes.
Esse tipo de intervenção mostra como a arquitetura comercial atua diretamente no desempenho do negócio.
Arquitetura como linguagem de marca
O branding deixou de ser restrito ao visual gráfico e passou a ocupar o espaço físico. A arquitetura se tornou uma forma de expressão da marca.
Ao entrar em um ambiente, o cliente precisa reconhecer valores, posicionamento e proposta. Cores, materiais e organização constroem essa leitura.

“Não é sobre estética isolada. É sobre coerência. O ambiente precisa representar a marca e conversar com o público certo”, explica Sofia.
Essa coerência depende de alinhamento entre arquitetura e estratégia. Quando existe, o espaço deixa de ser neutro e passa a ser diferencial competitivo.
A complexidade além das lojas
Embora o varejo seja o exemplo mais evidente, a arquitetura comercial envolve diferentes segmentos. Escritórios, indústrias e operações logísticas também exigem planejamento específico.
Em ambientes corporativos, o projeto reflete a cultura da empresa. Escritórios jurídicos, por exemplo, variam conforme a área de atuação. Alguns priorizam transparência. Outros exigem discrição.
Na indústria, o foco muda completamente. O espaço precisa funcionar com eficiência. Um layout mal planejado compromete produtividade e organização.
Distribuidoras e centros logísticos dependem de precisão. O posicionamento de prateleiras, o fluxo de materiais e o uso do espaço impactam diretamente a operação.
“Se o espaço não funciona, o negócio não roda bem”, destaca.
Com atuação em mais de 150 segmentos, a arquiteta desenvolveu uma visão ampla sobre diferentes realidades empresariais. Cada projeto exige imersão e leitura específica.
O consumidor no centro do projeto
As mudanças geracionais também influenciam a arquitetura comercial. O cliente atual busca praticidade, mas valoriza experiência.
Esse comportamento exige ambientes mais intuitivos, organizados e, ao mesmo tempo, estimulantes. O espaço precisa facilitar decisões rápidas, sem perder a capacidade de encantar.
A arquitetura responde com soluções que equilibram funcionalidade e experiência. O objetivo é tornar a jornada do cliente mais fluida e agradável.
Experiência como diferencial competitivo
A experiência se tornou um dos principais fatores de diferenciação no mercado. Produtos e preços podem ser semelhantes. O ambiente não.
Espaços comerciais passam a incorporar elementos que geram conexão. Não se trata apenas de vender, mas de criar memória.
“Hoje o cliente quer viver algo dentro do espaço. Ele espera mais do que o básico”, afirma Sofia.
Essa tendência aproxima o ambiente físico das estratégias digitais. Ambos disputam atenção e engajamento.
Um mercado mais maduro
Nos últimos anos, cresce o entendimento de que arquitetura comercial é investimento estratégico. Empresários passam a planejar o espaço com mais consciência e objetivos claros.
Esse amadurecimento se intensificou após a pandemia, quando muitas empresas revisaram posicionamento e forma de atuação.
A arquitetura passa a ser pensada desde o início, integrada ao planejamento do negócio.
A visão apresentada no Notisul Negócios
Essa leitura sobre o mercado foi aprofundada durante entrevista ao programa Notisul Negócios, conduzida pelo empresário Fernando Silva.
Na conversa, Sofia Fretta detalhou sua trajetória e reforçou a importância de o arquiteto compreender o funcionamento do negócio do cliente.
“O arquiteto precisa parar de pensar só em material e começar a pensar em estratégia. Quando entende isso, o projeto muda”, destacou.
A participação evidencia uma mudança de mentalidade dentro da própria profissão.
Expansão e novos caminhos
Com oito anos de atuação, Sofia inicia uma nova fase profissional. A proposta inclui expansão para outras regiões de Santa Catarina e também para estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Ao mesmo tempo, cresce sua atuação como mentora de arquitetos. A demanda surge de forma natural, com profissionais buscando orientação sobre o segmento comercial.
O espaço como ativo de negócio
A arquitetura comercial ocupa hoje um papel central nas empresas. Ela organiza, comunica e influencia.
Em um mercado competitivo, o ambiente se torna parte da estratégia. Ele não apenas abriga o negócio, mas contribui para o seu crescimento.
Mais do que construir espaços, a arquitetura comercial constrói percepção, experiência e resultado.

